segunda-feira, 29 de junho de 2026
domingo, 21 de junho de 2026
IDEOLOGIA MACHISTA E FASCISMO
"O Decalogo da bôa esposa" foi publicado na edição nº 3 da revista Anauê!, em agosto de 1935. A publicação, órgão oficial da Ação Integralista Brasileira (AIB), estabelecia 10 "mandamentos" de submissão e conduta com o objetivo de moldar o comportamento das mulheres dentro do ideário fascista brasileiro.
Interessante que passadas mais de nove décadas, tal ideologia fascista permanece sendo reproduzida em ambientes religiosos retrógados e é até apresentada como novidade, como por exemplo, o ignorante movimento red pill.
Eis o texto original:
1. Ama a teu marido acima de todas as coisas, ama a teu próximo o melhor que puderes, mas lembra-te que a tua casa pertence a teu marido e não a teu próximo.
2. Considera o teu marido como hospede de distinção, como um amigo precioso e não como uma amiga à qual se contam os pequenos aborrecimentos da existência. Livra-te dessa amiga se te fôr possível.
3. Que a tua casa esteja em ordem e teu rosto sorridente, quando elle regressar do trabalho. Entretanto se elle não o notar immediatamente, não te aborreças: desculpa-o.
4. Não lhe peças o supérfluo para a tua casa; pede-lhe apenas uma habitação risonha, um pouco de espaço livre e tranquilidade para as creanças.
5. Que as creanças sejam sempre sadias e limpas: tu mesma sê como ellas, sadia e limpa. Que elle sorria, vendo-vos e pense em vós ausente.
6. Lembra-te que o desposaste para a boa e má sorte. Se todo o mundo o abandonar, tu deverás conservar ainda a tua mão nas suas.
7. Se teu marido tem ainda a sua mamãe, lembra-te que nunca serás boa demais nem bastante dedicada para com aquella que o embalou nos braços.
8. Não peças a existência o que ella jamais pode conceder a ninguém: se fores útil, já és feliz.
9. Se a desgraça sobrevem, não desanimes e não desesperes. Tem. confiança em teu marido, e elle terá coragem por dois.
10. Se teu marido se afasta, espera-o. Mesmo se elle te abandonar, espera-o. Porque não és somente a tua mulher, tu ès a honra de teu nome. E um dia elle voltara abençoando-te.
Quem concorda? Quem quer voltar ao passado?
Frederico Costa, professor da UECE
quinta-feira, 4 de junho de 2026
É POSSÍVEL CONHECER A REALIDADE SOCIAL?
A realidade possui um imenso grau de conexões, o que faz com que qualquer fenômeno não possa ser explicado por si mesmo. Na sociedade, por exemplo, a situação concreta de um indivíduo remete, por uma série de mediações, ao que está acontecendo no mundo. Aliás, o indivíduo é um produto social.
Nessa perspectiva, o conhecimento sempre implica em levar em consideração a totalidade social. O conhecimento é sempre o conhecimento da totalidade.
Mas, se o conhecimento é o conhecimento da totalidade, é preciso saber tudo?
Não. Conhecer a totalidade não significa conhecer tudo.
Conhecer a totalidade significa conhecer as leis (regularidades e conexões fundamentais) que regem o movimento social. Pois, a sociedade é uma totalidade estruturada, ou seja, não é um caos regido pelo acaso. Há padrões, dos quais podem se destacar tendências e possibilidades de previsibilidade.
Se conhecermos como funciona determinada totalidade social é possível compreender o movimento de suas partes. Porém, para o conhecimento dos padrões que regem uma sociedade determinada é necessário entender as relações que unem suas partes.
Quer dizer, que o conhecimento da realidade social é, em última instância, o conhecimento das relações sociais. Das relações sociais concretas, com múltiplas determinações, que unem os seres humanos que formam uma sociedade historicamente situada e impõem a esta um movimento dado. De fato, uma sociedade é um conjunto de seres humanos organizados por uma série de relações sociais.
Frederico Costa, Professor da UECE
terça-feira, 12 de maio de 2026
A casa foi reconhecida em 1904, por meio de uma foto no jornal, e comprada pelo Partido Social-Democrata em 1928. Durante a guerra, os nazistas ocuparam a casa e a transformaram numa gráfica. Mesmo depois do SPD abandonar oficialmente a referência à Marx e à luta de classes, em 1959 (Programa de Godesberg), o Chanceler Wily Brandt estatizou a casa e a converteu num museu. Nos anos 90, o museu passou por certo abandono até o Governo chinês passar a financia-lo.
Museu Casa de Karl Marx, em Trier.Apesar de abrigar o (fraco) museu Karl Marx, o próprio viveu aí só durante um ano, pois em 1819 sua família se mudou para outro imóvel, onde o jovem Marx viveu até 1835. Esta outra casa hoje abriga um loja. Ambos os imóveis foram restaurados, mas as casas escaparam dos bombardeios dos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial.
Em Trier, Marx é pop. Vende de tudo nas lojas da cidade.
Trier é uma antiga cidade romana na Alemanha e seu nome romano faz referência a ela como a casa de Augusto na "Terra dos Trevereiros", o povo que habitava então à região. O Imperador Constantino, instaurador do Cristianismo, viveu aí.
Há vários semáforos onde os sinais de pedestre são uma figurinha de Marx...
Certamente esta história cosmopolita de Trier, em algum momento, o centro do mundo ocidental, sede do Império Romano, influenciou tanto o clima liberal que reinava na cidade como a tendência do pensamento de Marx ao universalismo.
Eudes Baima, professor da UECE
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Kopnin e a hipótese científica
Pável Vassílyevitch Kopnin (1922-1971) foi um filósofo russo que se destacou no estudo da lógica, da gnosiologia e do método científico. Lutou no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial e entrou para o Partido Comunista da União Soviética em 1943.
Após a guerra, estudou na Universidade de Moscou, graduando-se em 1944. Trabalhou na Academia de Ciências Sociais do Comitê Central do PCUS. Foi chefe do Departamento de Filosofia da Universidade de Tomsk de 1956 a 1958.
Kopnin se dedicou ao estudo das questões fundamentais da
filosofia da ciência, ao estudo de problemas metodológicos e
lógico-gnosiológicos de diferentes ramos da ciência (física, biologia,
cibernética), aos problemas que os unem e aos que aparecem no conhecimento
interdisciplinar.
De acordo com Kopnin, no livro “Hipótese e verdade”, o materialismo
dialético, ao interpretar a essência e a função gnosiológica da hipótese, parte
dos seguintes fatores: 1) conhecimento, compreendido como reflexo na
consciência humana dos fenômenos da natureza/ sociedade e das leis de seu
movimento; 2) a unidade do empírico e do teórico na dinâmica do saber; 3) a
verdade como o processo de apreensão do objeto pelo intelecto, e 4) a prática
como fundamento, finalidade e critério da veracidade do conhecimento.





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