domingo, 15 de fevereiro de 2026

fevereiro 15, 2026



LEMBRANÇAS DE UM GENERAL ANTIFASCISTA


Felicíssimo Cardoso destacou-se como um dos mais expressivos representantes da chamada esquerda militar brasileira no século XX. General de sólida formação intelectual, compreendia as Forças Armadas não apenas como instituições de defesa, mas como instrumentos de afirmação da soberania nacional e de promoção do desenvolvimento econômico.


Sua trajetória pública foi marcada pelo engajamento em organizações patrióticas que buscavam articular militares e civis em torno de um projeto autônomo de país. Presidiu e orientou entidades como a «Liga Antifascista da Tijuca», a «Liga pela Emancipação Nacional» e o Centro de Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, espaços nos quais defendia a independência econômica frente às pressões externas.


Por essa atuação, tornou-se um dos líderes da histórica campanha «O Petróleo é Nosso», que mobilizou amplos setores da sociedade em favor do controle estatal dos recursos energéticos. Diferentemente de grande parte da alta oficialidade, Felicíssimo Cardoso figurou entre os raros generais a criticar abertamente a burguesia brasileira, que, em sua avaliação, mantinha vínculos excessivos com interesses estrangeiros e negligenciava as necessidades internas.


Para ele, o desenvolvimento deveria priorizar as camadas populares e médias, fortalecendo o mercado interno e ampliando oportunidades sociais. Sua visão articulava nacionalismo econômico e sensibilidade social, defendendo que a economia nacional só alcançaria autonomia quando estivesse voltada ao bem-estar coletivo e à redução das desigualdades. Nesse sentido, consolidou-se como um expoente de uma corrente militar comprometida com reformas estruturais e com a construção de um Estado soberano, economicamente forte e socialmente inclusivo.


Seu legado permanece como referência para estudiosos que investigam as múltiplas vertentes do pensamento militar brasileiro, evidenciando que a caserna também abrigou projetos progressistas voltados à emancipação nacional e à justiça social. Sua atuação marcou época e suscitou intensos debates políticos nacionais e institucionais duradouros no país.


Professor Guilherme Diniz

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

fevereiro 11, 2026

Getty Images

Bilionários devem existir? Eles fazem bem para a democracia?


Assim como o grande capital apoiou fascistas italianos e nazistas alemães, as Big Techs aderiram a Trump já durante sua campanha. E, mesmo após algumas rusgas com Trump depois de eleito, continuam botando água no moinho da extrema direita. 

Elon Musk tornou-se uma liderança importante da extrema direita internacional, alinhando-se com a ultradireita em países como o Reino Unido e a Alemanha, além de seu namoro com o golpismo bolsonarista no Brasil.

Zuckerberg extinguiu a checagem de fatos em suas redes sociais, favorecendo a desinformação e a distribuição de notícias falsas.

Já o dono da Amazon, Jeff Bezos, impediu que seu jornal, o Whashington Post, declarasse apoio à democrata Kamala Harris em 2024. E, logo depois, anunciou que as páginas de opinião do jornal somente aceitariam artigos em defesa das liberdades individuais e econômicas.

A tendência imanente do modo de produção capitalista de centralização e concentração de capital pariu grandes corporações, imperialismo, duas guerras mundiais, miséria, opressão, obscurantismo, mais guerras, genocídios... e uma casta parasitária de bilionários.

Essa turma tem riqueza e poder enormes. São apenas 1% e vivem como deuses, acima do bem e do mal. Tem mansões no mundo todo, ilhas privadas, aviões, mansões, obras de arte caríssimas e até naves espaciais. Possuem recursos ilimitados com fortunas que excedem PIBs de diversos países e não estão nem aí para os rituais do regime democrático. Por isso, controlam governos, apoiam golpes de Estado e sustentam ditaduras.

Daí a aproximação com a extrema direita. Bilionários odeiam direitos sociais e trabalhistas, fugindo, como o diabo foge da cruz, da soberania popular.

Os bilionários não devem existir, muito menos os mecanismos econômicos próprios do capitalismo que os geram e os mantêm.


Frederico Costa, professor da UECE

fevereiro 11, 2026




"IA SONHA COM OVELHAS ELÉTRICAS?"


Não são poucos os que consideram que profissões  relacionadas com elaboração e transmissão de conteúdos, como as várias formas de literatura, o jornalismo, o magistério, entre outras, em breve, poderão ser exercidas por programas capazes de compilar, organizar de diferentes formas conforme a necessidade a incomensurável quantidades de informações depositadas na rede mundial de sistemas digitais. Ou seja, por programas que sabem, até certo ponto, pensar. 


As grandes corporações, inclusive da imprensa, ja aceitam este fato.


Um exemplo ordinário, banal foi a da "influencer" de cosméticos, Natália "Beauty" (hehehehe) que, convertida em colunista da  Folha de S. Paulo, escreveu um artigo sobre a questão venezuelana.


Pois bem, um leitor mais chato resolveu submeter o tal artigo da consultora de beleza a um detector de IA, e o resultado foi que 70% do artigo foi composto por ChatGPT.


A moça admitiu, defendeu a prática e a Folha assinou em baixo.


Meus compas e minhas compas, preparemo-nos para a extinção. Ou mudemos de ramo para, quem sabe, "influencer" de beleza no YouTube.

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Uma ressalva: obviamente o reprocessamento de ideias alheias não e um fenômeno da era da IA. O saqueio do tesouro intelectual contido em, como se diz hoje, diferentes mídias é tão antigo quanto o registro das ideias pela humanidade. Tem, no mínimo, a idade da escrita.


Os casos de plágio no jornalismo são inúmeros e alguns se tornaram célebres, como, entre o nós, o de Pepe Escobar, na própria Folha, que copiava na cara dura artigos da Rolling Stone, num tempo em que os originais era praticamente inacessíveis ao público brasileiro. 


Mas agora a coisa subiu a escada pois a fonte do plágio é a infinita massaroca de informações que, tudo junto e misturado, chega pela pena do plagiador sem cara, sem identidade, sem dono.


Eudes Baima, professor da UECE