segunda-feira, 29 de junho de 2026

Uma, duas; de Eliane Brum: experiências de leitura

junho 29, 2026

Fonte: a fotografia de Eliane Brum está disponível em seu perfil da Amazon e deve possuir direitos autorais. Em caso de identificação de seu(ua) autor(a), inseriremos os créditos.

Abaixo, vocês lerão duas resenhas escritas por nossos bolsistas estudantes da escola Professor Lourenço Gurgel, localizada em Caraúbas/RN. Os bolsistas são vinculados ao Programa de Iniciação Científica Júnior da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, sob a coordenação da Profa. Dra. Karla Raphaella Costa Pereira, e fazem parte do Grupo de Pesquisa Práxis e Formação Docente, nosso parceiro.

    Há alguns meses, tive a oportunidade de ler o romance Uma Duas, de Eliane Brum. A experiência dessa leitura permitiu-me compreender que existem relações familiares em que o afeto não se manifesta da forma mais saudável possível.
    São apresentadas, inicialmente, as duas personagens: Laura, filha, e Maria Lúcia, sua mãe, desde então, a minha personagem favorita. Talvez pela sua história antes da chegada da filha. No enredo, há diversos temas tensos tratados com uma narrativa que foi me pegando, cada vez mais, ao longo de seu desenvolvimento. A principal narrativa é focada em Laura, depois, passa a intercalar com as cartas de sua mãe, após a descoberta das anotações. 
    Os primeiros parágrafos do romance me provocaram um sentimento de curiosidade. Esse início é tão angustiante que te geram perguntas: “Por que ela está se cortando?”; “Onde estão seus pais?”; “Onde está seu pai?”. Perguntamo-nos, também, se aquele é de fato o começo de tudo.
A relação das duas personagens é bastante conturbada, daquelas nas quais tudo parece conspirar para que, quando estão juntas, tudo ocorra mal. Laura julga a mãe como um monstro, protegendo a quem menos deveria, como vamos saber depois; porém, a ama, a ama muito, muito mais do que o ódio que sente ao mesmo tempo, mas não sabe como tudo aconteceu e nem como o amor acontece.
    O passado mal resolvido delas empata, desde o nascimento da protagonista, a relação presente em que a história se passa. Quando Lúcia encontra a narrativa que Laura está escrevendo, percebe que há bastantes mentiras, pois a filha não conhece seu próprio passado. Lúcia, então, decide confrontar a filha indiretamente, escrevendo também para contar o que realmente ocorreu em suas vidas. Ela traz à tona o seu passado marcado por traumas, culpa rejeição, revelando crimes que cometera e outros pelos quais passou. Considero que a melhor parte deste romance está na forma como a maternidade foi construída, através do terrível passado daquela mãe, como tudo ocorreu e como tudo isso vira castigo no presente das personagens.
Por Juliana Beatriz Fernandes Duarte

O Silêncio e a dificuldade de comunicação na relação entre mãe e filha em Uma Duas
 
    No romance Uma Duas, Eliane Brum quer mexer com a nossa cabeça. Começo a ler sem saber se estou no início ou no meio da história. Ela inicia nos mostrando a má relação entre uma filha (Laura) e uma mãe (Maria Lúcia), destacando muito o sentimento de distanciamento entre elas. No decorrer da narrativa, ficam mais que explícitos os traumas envolvidos nessa relação.
    No início, eu comecei odiando a mãe, Maria Lucia, porque na narrativa ela parecia não permitir que Laura tivesse sua própria privacidade. Em um trecho do romance isso fica claro quando o narrador fala: “- É a voz da mãe no lado avesso da porta. Laura. Rasgo mais uma boca. Meu sangue garoa junto com a voz no piso do quarto. Laura. Minha mãe sempre foi assim. Ela sempre sabe o que estou fazendo”.
    Além disso, o romance salienta de que modo os laços maternos são afetados por esquemas de aflição que se propagam através do tempo. A ausência de comunicação não aparece de forma isolada, mas sim como consequência de vivências repletas de desencontros, angústias e falta de gestos de carinho.     Consequentemente, as figuras femininas acabam por não conseguir quebrar as cadeias de mudez que definem seus caminhos.
    Logo, Uma Duas expõe como a falta de diálogo pode converter o laço entre mãe e filha em um terreno de dissentimento e isolamento. Esse livro aborda temas importantíssimos para sociedade, como o que tratei nesse texto, até estupro e narcisismo. Desse modo, se você é uma pessoa que procura um livro que faça você refletir e entender esse tipo de relação Uma Duas é o romance perfeito.

Por João Victor Gabriel Nunes





domingo, 21 de junho de 2026

junho 21, 2026


IDEOLOGIA MACHISTA E FASCISMO


"O Decalogo da bôa esposa" foi publicado na edição nº 3 da revista Anauê!, em agosto de 1935. A publicação, órgão oficial da Ação Integralista Brasileira (AIB), estabelecia 10 "mandamentos" de submissão e conduta com o objetivo de moldar o comportamento das mulheres dentro do ideário fascista brasileiro.

 

Interessante que passadas mais de nove décadas, tal ideologia fascista permanece sendo reproduzida em ambientes religiosos retrógados e é até apresentada como novidade, como por exemplo, o ignorante movimento red pill.

                                               

Eis o texto original:


1. Ama a teu marido acima de todas as coisas, ama a teu próximo o melhor que puderes, mas lembra-te que a tua casa pertence a teu marido e não a teu próximo.


2. Considera o teu marido como hospede de distinção, como um amigo precioso e não como uma amiga à qual se contam os pequenos aborrecimentos da existência. Livra-te dessa amiga se te fôr possível.


3. Que a tua casa esteja em ordem e teu rosto sorridente, quando elle regressar do trabalho. Entretanto se elle não o notar immediatamente, não te aborreças: desculpa-o.


4. Não lhe peças o supérfluo para a tua casa; pede-lhe apenas uma habitação risonha, um pouco de espaço livre e tranquilidade para as creanças.


5. Que as creanças sejam sempre sadias e limpas: tu mesma sê como ellas, sadia e limpa. Que elle sorria, vendo-vos e pense em vós ausente.


6. Lembra-te que o desposaste para a boa e má sorte. Se todo o mundo o abandonar, tu deverás conservar ainda a tua mão nas suas.


7. Se teu marido tem ainda a sua mamãe, lembra-te que nunca serás boa demais nem bastante dedicada para com aquella que o embalou nos braços.


8. Não peças a existência o que ella jamais pode conceder a ninguém: se fores útil, já és feliz.


9. Se a desgraça sobrevem, não desanimes e não desesperes. Tem. confiança em teu marido, e elle terá coragem por dois.


10. Se teu marido se afasta, espera-o. Mesmo se elle te abandonar, espera-o. Porque não és somente a tua mulher, tu ès a honra de teu nome. E um dia elle voltara abençoando-te.


Quem concorda? Quem quer voltar ao passado?



Frederico Costa,  professor da UECE



quinta-feira, 4 de junho de 2026

junho 04, 2026



É POSSÍVEL CONHECER A REALIDADE SOCIAL?


A realidade possui um imenso grau de conexões, o que faz com que qualquer fenômeno não possa ser explicado por si mesmo. Na sociedade, por exemplo, a situação concreta de um indivíduo remete, por uma série de mediações, ao que está acontecendo no mundo. Aliás, o indivíduo é um produto social.


Nessa perspectiva, o conhecimento sempre implica em levar em consideração a totalidade social. O conhecimento é sempre o conhecimento da totalidade.


Mas, se o conhecimento é o conhecimento da totalidade, é preciso saber tudo? 


Não. Conhecer a totalidade não significa conhecer tudo.


Conhecer a totalidade significa conhecer as leis (regularidades e conexões fundamentais) que regem o movimento social. Pois, a sociedade é uma totalidade estruturada, ou seja, não é um caos regido pelo acaso. Há padrões, dos quais podem se destacar tendências e possibilidades de previsibilidade. 


Se conhecermos como funciona determinada totalidade social é possível compreender o movimento de suas partes. Porém, para o conhecimento dos padrões que regem uma sociedade determinada é necessário entender as relações que unem suas partes.


Quer dizer, que o conhecimento da realidade social é, em última instância, o conhecimento das relações sociais. Das relações sociais concretas, com múltiplas determinações, que unem os seres humanos que formam uma sociedade historicamente situada e impõem a esta um movimento dado. De fato, uma sociedade é um conjunto de seres humanos organizados por uma série de relações sociais.



Frederico Costa, Professor da UECE

terça-feira, 12 de maio de 2026

maio 12, 2026




                                    
NAS TERRAS DE MARX

A casa foi reconhecida em 1904, por meio de uma foto no jornal, e comprada pelo Partido Social-Democrata em 1928. Durante a guerra, os nazistas ocuparam a casa e a transformaram numa gráfica. Mesmo depois do SPD abandonar oficialmente a referência à Marx e à luta de classes, em 1959 (Programa de Godesberg), o Chanceler Wily Brandt estatizou a casa e a converteu num museu. Nos anos 90, o museu passou por certo abandono até o Governo chinês passar a financia-lo.

                                                     Museu Casa de Karl Marx, em Trier. 


Apesar de abrigar o (fraco) museu Karl Marx, o próprio viveu aí só durante um ano, pois em 1819 sua família se mudou para outro imóvel, onde o jovem Marx viveu até 1835. Esta outra casa hoje abriga um loja. Ambos os imóveis foram restaurados, mas as casas escaparam dos bombardeios dos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial.

Em Trier, Marx é pop. Vende de tudo nas lojas da cidade.

Trier é uma antiga cidade romana na Alemanha e seu nome romano faz referência a ela como a casa de Augusto na "Terra dos Trevereiros", o povo que habitava então à região. O Imperador Constantino, instaurador do Cristianismo, viveu aí.

Há vários semáforos onde os sinais de pedestre são uma figurinha de Marx...



Certamente esta história cosmopolita de Trier, em algum momento, o centro do mundo ocidental, sede do Império Romano, influenciou tanto o clima liberal que reinava na cidade como a tendência do pensamento de Marx ao universalismo.


Eudes Baima, professor da UECE

segunda-feira, 11 de maio de 2026

maio 11, 2026



Kopnin e a hipótese científica


Pável Vassílyevitch Kopnin (1922-1971) foi um filósofo russo que se destacou no estudo da lógica, da gnosiologia e do método científico. Lutou no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial e entrou para o Partido Comunista da União Soviética em 1943. 


Após a guerra, estudou na Universidade de Moscou, graduando-se em 1944. Trabalhou na Academia de Ciências Sociais do Comitê Central do PCUS. Foi chefe do Departamento de Filosofia da Universidade de Tomsk de 1956 a 1958. 


Kopnin se dedicou ao estudo das questões fundamentais da filosofia da ciência, ao estudo de problemas metodológicos e lógico-gnosiológicos de diferentes ramos da ciência (física, biologia, cibernética), aos problemas que os unem e aos que aparecem no conhecimento interdisciplinar.


De acordo com Kopnin, no livro “Hipótese e verdade”, o materialismo dialético, ao interpretar a essência e a função gnosiológica da hipótese, parte dos seguintes fatores: 1) conhecimento, compreendido como reflexo na consciência humana dos fenômenos da natureza/ sociedade e das leis de seu movimento; 2) a unidade do empírico e do teórico na dinâmica do saber; 3) a verdade como o processo de apreensão do objeto pelo intelecto, e 4) a prática como fundamento, finalidade e critério da veracidade do conhecimento.



maio 11, 2026


 Relendo Karel Kosik


"O mundo da realidade é o mundo da realização da verdade, é o mundo em que a verdade não é dada e predestinada, não está pronta e acabada, impressa de forma imutável na consciência humana: é o mundo em que a verdade devem(...) a história humana pode ser o processo da verdade e a história da verdade". (KOSIK, Karel. Dialética do Concreto . Civilização Brasileira: Rio de Janeiro; São Paulo, 1976)


Um tal pensamento era incompatível com a versão  stalinista da dialética como um método de "descobrimento" de uma verdade estabelecida de uma vez por todas, a verdade da própria burocracia stalinista tcheca.


Após a invasão soviética em 1968, que encerrou a Primavera de Praga, Kosík foi expulso do Partido Comunista da Tchecoslováquia, perdeu sua posição na Universidade de Praga e foi silenciado, sendo considerado um "dissidente" interno, enquanto as ideias de autogestão, cara a uma versão anterior da burocracia iugoslava (Tito) passaram a ser vistas com suspeita pela liderança  tcheca deste período. Kosik apoiara o movimento de renovação encabeçado por Alexander Dubcek, ao lado de outro importante intelectual, Ivan Svitak.


A liberdade de pensamento exercida por Kosik, ele mesmo membro do Partido, discípulo de Lukács, insuspeito de trotskismo ou coisa que o valha,  era incompatível com a prostituição do marxismo operada pelo stalinismo.


Eudes Baima, professor da UECE

domingo, 3 de maio de 2026

maio 03, 2026

 


Aproximações em torno do proletariado no Brasil


De uma maneira mais restrita, pode-se caracterizar o proletariado como a classe dos trabalhadores assalariados que produz mais-valia ou cujo trabalho útil possibilita aos capitalistas a apropriação de uma alíquota de mais-valia social. Portanto, abarca os trabalhadores produtivos e os improdutivos. 


Trabalho produtivo não o trabalho manual (ou relação material direta com a natureza) capaz de produzir mercadoria. Há trabalhadores que produzem mercadorias e não realizam trabalho produtivo, como várias camadas pequeno-burguesas urbanas e o campesinato.


Do ponto de vista do capital, e se trata de trabalhadores na sociedade capitalista, trabalho produtivo é aquele que produz mais-valia. Há trabalhadores técnico-intelectuais que participam da produção material enquanto seus organizadores e que, por receberem salários inferiores, produzem mais. Há finalmente trabalhadores intelectuais que não participam da produção, como médicos, professores e advogados de empresas privadas, e podem produzir mais-valia. Pois, a mercadoria não é uma simples coisa, e sim uma relação social. O desenvolvimento da sociabilidade burguesa (MC, só duas classes), realça a natureza de classe do proletariado frente aos trabalhadores pequeno-burgueses, incorpora extensas camadas da intelectualidade à produção de mais-valia, desenvolve o proletariado de serviços e universaliza o caráter mercantil da força de trabalho.


O proletariado urbano tem uma estrutura interna complexa, na qual se articulam as seguintes camadas: a) proletariado produtivo da esfera material, b) proletariado técnico-produtivo técnico-intelectual e de serviços, c) o proletariado improdutivo e d) o semiproletariado urbano. O proletariado rural se classifica em: a) proletários permanentes, b) proletários volantes e c) semiproletários rurais.


Proletariado Urbano


a) Proletariado produtivo da esfera material urbana (classe operária industrial stricto sensu), composto pelos trabalhadores assalariados que produzem mais-valia no processo de produção de bens materiais. Camada altamente concentrada, possui elementos de qualificação elevada, domina a tecnologia de ponta e responsável pelo funcionamento do coração do capitalismo, através da produção de mercadorias que, inteira ou parcialmente, se destinam a compor o capital constante das empresas. Inclui:


1) O proletariado das indústrias pesadas ou dos meios de produção: extração de matérias-primas minerais e vegetais, petróleo e derivados, máquinas e equipamentos, materiais de transporte rodoviário, ferroviário, aeronáutico e naval, materiais de comunicação, química, metalurgia, materiais de construção, aparelhos de precisão, computadores, têxteis, construção civil, energia elétrica e outros.


2) O proletariado das indústrias de bens de consumo duráveis: equipamento eletrodomésticos e militares, indústria automobilística.


3) O proletariado das indústrias de bens não-duráveis: indústria de roupas, alimentos e água.


4) o proletariado da indústria de estocagem e transportes, porque enquanto a produção de bens materiais representa a transformação da matéria-prima em outro bem – uma mudança interna do objeto de trabalho, a estocagem transforma a situação temporal de um bem e o transporte modifica a situação espacial. Então, o trabalho demandado nesses dois tipos específicos de transformação incorpora-se à mercadoria sob forma de valor adicional. Quando se trata de estocagem, carregamento e transporte de um meio de produção, incorpora valor ao capital constante. Aqui pode-se incluir os trabalhadores de aplicativo, que possuem uma relação assalariada mascarada pelo fetichismo da tecnologia.


b) O proletariado produtivo técnico-intelectual e de serviços, é composto:


1) Pelos técnico-intelectuais assalariados que trabalham no setor produtivo das indústrias de bens materiais – à exceção pequena burguesia e da burocracia gerencial -  produzem valor ao organizar e orientar o trabalho social, e produzem mais-valia ao receber salário inferior à quota parte do valor criado por sua participação na produção coletiva.


2) Trabalhadores manuais e intelectuais das indústrias de serviços comunitários, como hospitais e escolas privadas, telecomunicações, emissoras de rádio, jornais, canais de televisão, gravadoras, empresas cinematográficas e outras. Eles não são meros prestadores de serviço, porque produzem uma mercadoria específica, que pode ser tanto a saúde como o saber, ou um serviço de tipo doméstico. No caso da saúde, trata-se da manutenção e reprodução de uma mercadoria extremamente valiosa que é a força de trabalho, por sinal uma força produtiva. Da mesma forma o ensino. É necessário distinguir o médico, o enfermeiro ou o professor assalariado pela indústria hospitalar ou de ensino, que produzem mais-valia, do médico profissional liberal, com seu consultório, bem como dos enfermeiros e professores particulares que prestam serviços mercantis e fazem parte da pequena burguesia. É radicalmente diferente se a mercadoria é a força de trabalho ou o serviço prestado. Igualmente, deve-se distinguir a trabalhadora da empresa que realiza serviços domésticos de uma empregada doméstica que presta serviços individuais a uma família.


c) O proletariado improdutivo não gera valor-mercadoria, portanto, não produz mais-valia, mas cuja utilidade reside na sua condição de pressuposto da transferência da indústria para o ramo do capital que o assalaria. É composto:


1) Pelos trabalhadores de escritório e do setor improdutivo das indústrias de bens materiais que prestam serviço ao capital, que o assalaria, e não a produzir mercadorias, processo que se desenvolve no setor produtivo.


2) Pelos trabalhadores do comércio no atacado e no varejo, incluindo imóveis. No comércio não se criam bens nem se lhes adiciona valor, apenas se lhes muda a forma de valor-produto para valor-dinheiro. Em troca do trabalho útil dos comerciários de suas empresas, essencial para a circulação mercantil, e portanto, para a realização de mais-valia, os capitalistas do ramo comercial recebem uma alíquota de mais-valia produzida na indústria. Por meio dessa quota-parte, pagam os serviços que são prestados pelos comerciários e reproduzem o seu capital com o restante.


3) Trabalhadores dos bancos e demais empresas que operam com finanças, seguros e capitalização. Nos bancos, os trabalhadores possibilitam a transferência de uma quota-parte de mais-valia industrial para os banqueiros, além de manter o funcionamento do sistema financeiro como um todo.


Proletariado Rural


proletariado rural é constituído pelos trabalhadores produtivos da esfera material no campo tem duas camadas:


a) Os assalariados permanentes, que são fixos nas propriedades agrícolas e sujeitos à mesma instabilidade que atinge o proletariado urbano, agravada pelo grau mais elevado de opressão.


b) Os assalariados temporários, que se distinguem por não vender sua força de trabalho a um mesmo capitalista, mas por migrar de fazenda em fazenda, seccionando sua participação no processo produtivo e vivendo uma situação de insegurança e alienação muito maior.


Frederico Costa, professor da UECE

segunda-feira, 13 de abril de 2026

abril 13, 2026


FORTALEZA DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO. 


Oficialmente tem-se como data do aniversário da Cidade de Fortaleza, 13 de Abril 1726, dia da elevação do Povoado a condição de Vila.


Impele-se então uma pergunta, quando surge uma cidade? Quais critérios são considerados ? Existe regra única para determinar o natalício de uma urbe ? Na realidade, essas escolhas ocorrem através de convenções. Cada cidade tem sua história, que é forjada através de um processo, com permanências e rupturas.  É complexo acreditar que uma cidade surge em uma data; único local e por uma só pessoa.


O Povoado de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção está incluso no sistema de colonização portuguesa no Brasil, evidentemente com suas especificidades decorrentes de vários fatores. O Ceará, como capitania da colonia, está inserido em um sistema de exploração conveniente ao mercantilismo português,  que tinha como objetivo adquirir riquezas de suas possessões. O território cearense,  a princípio, não ofereceu recursos ansiados pelo colonizador, tornando-se assim uma capitania subalterna( primeiro do Maranhão e depois de Pernambuco ). Praticamente, um século após o início do povoamento efetivo de parte do território brasileiro, no Ceará inicia-se , no princípio do século XVII, tentativas de conquistar o espaço territorial. Por não servir aos propósitos econômicos de Portugal, passou a ser objetivado como um ponto militar estratégico, por sua localização litorânea e visando combater os "invasores”, entre eles os franceses no Maranhão.


O açoreano Pero Coelho de Sousa , incumbido dos interesses da Coroa Portuguesa, constrói, em 1603, o Forte de São Tiago na barra do Rio Ceará  , que após conflitos seguidos com indígenas fora destruído. Em 1611, chega na mesma região do antigo forte, uma nova expedição, desta vez, comandada por Martim Soares Moreno, construindo um novo forte, denominado de São Sebastião( na Barra do Ceará), também não logrando êxito. Esse foi invadido por holandeses e depois por nativos. Os neerlandeses haviam sido vencidos no Forte São Sebastião pelos indígenas em 1644, voltando ao litoral cearense, desta feita, à margem do Pajeú no ano de 1649, Matias Beck funda o Forte Schoonenborck. Com inúteis tentativas de encontrar riquezas minerais e a saída definitiva dos holandeses de Pernambuco, Beck deixa o Ceará. O antigo forte holandês é assumido pelos portugueses que mudam o nome para Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, daí se desenvolve, em torno do forte, um povoado.


A atividade econômica da capitania em questão, desenvolveu-se como apoio ao Nordeste Açucareiro, o gado vacum servindo como alimento, transporte e força motriz nos engenhos. Com a pecuária, fomentam-se as fazendas que vão estruturando uma sociedade rural, de latifúndios por meio das sesmarias. Muitas vezes um mesmo sesmeiro adquiria várias possessões, isso trouxe consequências como desigualdade social; muitas terras com poucos; a dezimação do indígena e grande proporção ( ex: A Guerra dos Bárbaros ). Ao se findar o século XVII, a Metrópole sente a necessidade de criar uma vila, assim podendo obter  o controle maior da capitania, apesar da pecuária desenvolver povoados no interior, a primeira Vila seria no litoral, em 1699 a Carta Régia autoriza a criação da Vila de São de Ribamar. Mesmo com a oficialização não fora decidido o local, gerando uma disputa, principalmente entre Fortaleza, que tinha a força militar e onde vivia o capitão-mor governador. Por outro lado o Aquiraz reivindicava a Vila, já que os homens bons ( grandes fazendeiros ) lá residiam, assim almejando a criação da Câmara Municipal ( poder administrativo de uma vila ). Esse conflito retarda o surgimento da primeira Vila que acaba por ser em Aquiraz em 1713.


O Povoado de Fortaleza descontente com a escolha por Aquiraz, termina sendo contemplado em 1726 com a elevação a condição de Vila. Mesmo com a mudança de categoria,  Fortaleza continuava tímida com poucos recursos, ficando assim na qualidade de uma Vila de 3° ordem ( apenas administrativa ), vindo a se desenvolver, com estrutura e elevação a condição de Cidade ( 1823 ) já no século XIX, graças à produção do algodão como mercadoria de grande exportação. Por lei o porto escoador, desse produto, passa a ser de Fortaleza, transformando-a em um centro econômico importante da Província do Ceará. Essencialmente na segunda metade do século XIX, Fortaleza, capital da Província, toma ares de Cidade nos moldes de influência francesa, com seus devidos equipamentos como: ruas em traçados xadrez; edificações no estilo eclético; Cemitério; Estação; Cadeia Pública; Hospital e Praças.


Através desse processo longo, surge Fortaleza, que veio crescendo e "inchando" durante o século XX e no século seguinte desponta como a quarta maior capital do país , com suas desigualdades: concentração de renda com poucos e uma boa parte da população pobre. No final do século XIX e início do XX, a cidade por um lado se desenvolveu econômica e fisicamente; por outro lado com doenças epidêmicas e retirantes do sertão ( devido às secas), vai surgindo um centro excludente onde doentes ( vão para os Lazaretos ) e retirantes para campo de concentração ( como o Pirambu ).


Destarte, é infrutífera a discussão sobre localização de marco zero ou de um fundador, uma cidade como Fortaleza é construída por várias classes sociais e etnias diversas,  ao longo do tempo.


Marcus Lôbo, historiador e 
membro da Academia Cearense de Filosofia, Ciência e Tecnologia (ACFCT)

sábado, 11 de abril de 2026

abril 11, 2026


A Revolta de Palmares, ou mais precisamente a experiência histórica do Quilombo dos Palmares, deve ser compreendida não como episódio marginal da escravidão brasileira, mas como uma de suas contradições mais profundas.


Contra a interpretação conservadora que reduziu os quilombos a simples focos de fuga, Clóvis Moura demonstrou que a resistência negra constituiu uma força ativa de desgaste estruturante da ordem escravista. Palmares, nesse sentido, não foi apenas refúgio: foi negação prática do escravismo colonial e afirmação concreta de uma outra forma de vida social, fundada na recusa da mercantilização do corpo negro e na reconstrução coletiva da existência negra na América Portuguesa.


Seu significado histórico ultrapassa, portanto, o plano defensivo. Palmares representou a formação de um poder autônomo no interior da colônia, sustentado por trabalho próprio, organização militar, produção coletiva e capacidade de agregação de negros fugidos, indígenas e outros setores oprimidos.


É precisamente aí que sua importância se aproxima da ideia de Revolução Brasileira: não porque já contivesse um programa moderno e acabado de transformação nacional, mas porque exprimiu, em seu tempo, uma ruptura real com a base material da dominação colonial. Ao desafiar a escravidão, Palmares atacava um dos fundamentos centrais da economia, da hierarquia social e do poder político no Brasil.


Palmares demonstra que o escravizado nunca foi elemento passivo da história. Ao contrário: a luta de classes atravessava o escravismo e os quilombos eram sua manifestação mais radical.


Palmares aparece, assim, como capítulo decisivo de uma longa tradição de resistência popular brasileira, na qual os de baixo recusam a ordem que os coisifica. Sua destruição violenta revela, justamente, o temor das classes dominantes diante de seu potencial expansivo.


Inserido de um sistema de negação estrutural da dignidade humana, Palmares permanece como símbolo histórico de insurgência negra e de crítica estrutural à formação escravista do Brasil.

Guilherme Diniz, professor

segunda-feira, 30 de março de 2026

março 30, 2026


Construção ideológica de raças

 QUAL SUA RAÇA?


Com o aprofundamento da crise da sociedade capitalista e o acirramento da luta de classes a ideologia racista está de volta com o crescimento mundial da extrema direita.


A tese básica do racismo é que traços físicos distintos como a cor e tipo de pele, de olhos e de cabelo, o formato do crânio e estrutura física, além de diferenças aparentes, também indicam níveis diferenciados de inteligência, aptidão, formas de comportamento e moralidade. Quem não conhece o mito do negro estuprador ou da superioridade dos arianos?


Recentemente a ideologia racista vem sendo reforçada com a teoria das diferenças genéticas vem substituindo ou reforçando a ideia de aparência como fator de explicação de uma suposta variabilidade racial.


Ideias racistas têm a função de servir aos interesses das classes dominantes. Discriminar seres humanos por cor de pele, língua, religião ou cultura, em última instância, favorece estruturas econômicas, sociais e políticas de exploração e opressão.


Em contraste, com a perspectiva racista, pesquisas científicas revelam outra realidade.


Hierarquia racial: uma falsa leitura da teoria de Darwin

Não há fronteiras nítidas, biológicas ou culturais, entre grupos humanos. Não há provas de diferenças substantivas baseadas em formas diferentes dos corpos humanos ou hierarquias entre indivíduos baseadas nos genes. Em resumo, a palavra raça não identifica nenhuma realidade fundada no DNA da espécie humana: identidades étnicas e culturais não são determinadas biologicamente (geneticamente). Raças são uma construção social, uma invenção historicamente posta por interesses políticos.


A biodiversidade da espécie humana, que é real, é resultado de fenômenos como: a) mobilidade, há 100 mil anos, aproximadamente, partimos da África e povoamos o mundo; b) fertilidade, de um pequeno grupo humano, em pouco espaço de tempo, chegamos a 8,3 bilhões de pessoas; c) uma espécie muito híbrida e mesclada, com mesmas variações genéticas presentes em toda parte e com frequências diferentes. 


Então, não há raças ou hierarquia racial. Raça superior é um mito.


Qual sua raça? Qual minha raça? Nenhuma. Somos momentos específicos da imensa diversidade humana que começou na África. Uma espécie muito jovem, já que a vida na Terra tem pelo menos 4 bilhões de anos. No entanto, uma espécie, que pela capacidade de transformar conscientemente a realidade pode construir um mundo melhor sem racismo, sem opressões e sem a exploração de seres humanos por seres humanos.


Frederico Costa, professor da UECE


sexta-feira, 27 de março de 2026

março 27, 2026





Revolução abolicionista e 

capitalismo dependente e racial


Sempre ocorrem, por ocasião de datas como o 25 de março e o 13 de maio, questionamentos sobre “se houve” abolição. Afinal, temos uma realidade que depõe contra a tese de uma libertação dos trabalhadores escravizados e seus descendentes: os negros constituem a parcela mais empobrecida da população, com uma diferença salarial entre os 57% negros (pretos e pardos) e os 43% de não-negros que chega a 11% do PIB, apesar dos primeiros serem a maioria da classe trabalhadora; têm os piores salários, os piores empregos, mais dificuldades de ascensão profissional, para não dizer social. Somam-se a isso o encarceramento em massa (já somos a 3ª maior população carcerária do mundo) e o assassinato de jovens negros (um a cada 24 minutos), além da violência policial cotidiana nas ruas, praças, shoppings etc. Nas escolas, o bullying, o tratamento desigual e as más condições materiais de existência fora da escola levam a desempenho educacional desigual.

Olhando para essa situação social, que 140 anos depois só podemos conceber como constitutivas das mais modernas relações de produção capitalistas (nos EUA quadro análogo se apresenta), muitos jovens negros, ao tomarem consciência social de que há um “problema do negro” (como o denominou Clovis Moura) na sociedade brasileira, e não um “defeito de cor”, questiona “se houve abolição”. Esse questionamento é reforçado por discursos acadêmicos, políticos e de ativismo social mais amplo que chegam mesmo a dizer que “não houve abolição”. Negar a abolição tornou-se um crachá do pensamento crítico.

Ora, o Brasil foi o país que mais rapidamente se modernizou no século XX, mantendo as estruturas agrárias tais como se constituíram na “escravidão colonial”, como nomeou e descreveu, com densidade e qualidade intelectual, Joaquim Nabuco (ou, melhor dizendo, no escravismo colonial, como o conceituou, com uma arrojada teoria do modo de produção, Jacob Gorender em 1978). Como Chico de Oliveira chamou insistentemente atenção, durante 50 anos fomos o país que, num tão pequeno lapso de tempo, mais se industrializou no século XX (entre os anos 1930 e 1980), não apenas mantendo, mas se apoiando na concentração de terras, nos baixos salários, no trabalho gratuito feminino no âmbito doméstico (forma de barateamento do trabalho assalariado) e... na hierarquia racial, fonte de trabalho gratuito e subvalorização da força de trabalho.

Como insiste – e argumenta largamente em suas obras – Clovis Moura, o “problema do negro”, com suas inúmeras “barragens sociais”, não é uma sobrevivência da escravidão, mas é constitutivo da forma histórica do capitalismo dependente no Brasil; algo que lembra o “capitalismo racial”, como denominou o intelectual negro estadunidense Cedric Robinson a respeito da emergência do capitalismo na Europa, especificamente sobre as relações da Inglaterra com Irlanda e Escócia. A afirmação de que “não houve abolição”, além de desprezar teoricamente que o escravismo era um conjunto de relações sociais de produção num específico modo de produção, radicalmente diferente das que constituem o modo de produção capitalista, termina por livrar este último de uma reflexão crítica, com sua corresponde ação transformadora, reflexão crítica justamente sobre as mediações raciais de seu movimento de acumulação de capital como um fim em si mesmo. 

A revolução abolicionista de 1887-1888, protagonizada pelos trabalhadores escravizados no interior de um amplo movimento de massas pluriétnico e policlassista, libertou-os do trabalho compulsório imediato (escravidão), mas não libertou o trabalho do domínio do capital, domínio que ali apenas iniciava sua expansão. É desta emancipação que agora se trata.

Emiliano Aquino, professor da UECE

domingo, 15 de março de 2026

março 15, 2026

 



A MORAL CONSERVADORA CONTRA A PROTEÇÃO INFANTIL: O CASO QUE EXPÕE AS FISSURAS DO JUDICIÁRIO — QUEM O ESTADO REALMENTE PROTEGE?


Explodiu nas redes sociais a notícia lamentável, inadmissível e estarrecedora da absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. A decisão, proferida pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, foi justificada sob o argumento de que o relacionamento mantido entre o acusado e a vítima não teria decorrido de violência, coação, fraude ou constrangimento, mas de um suposto vínculo afetivo, reconhecido e reforçado por pessoas do convívio social daquele espaço, conforme alegado pelo desembargador responsável pelo julgamento das apelações.


O que queremos discutir aqui é o óbvio. O óbvio que tem deixado de ser cumprido, garantido, vivido e efetivado. O artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que o direito ao respeito consiste na “inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral das crianças e dos adolescentes, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”. Ao relativizar a vulnerabilidade da vítima, a decisão desloca o eixo da proteção integral da criança para a falsa preservação de um arranjo familiar, como se a existência de um vínculo afetivo pudesse neutralizar a violência estrutural implicada na relação.


É imprescindível evidenciar que tal decisão revela como o sistema jurídico não opera dissociado das determinações estruturais do capital e das ideologias que sustentam a ordem social vigente. Ao privilegiar a manutenção de um núcleo familiar em detrimento da proteção integral da vítima, o Estado reafirma a centralidade ideológica da chamada “família tradicional” como pilar de estabilidade social, ainda que essa estabilidade se construa sobre uma relação profundamente desigual, marcada por assimetrias etárias, de gênero e de poder.


O que se preserva, portanto, não é a infância, tampouco a dignidade da vítima. Relativiza-se, inclusive, o próprio artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura à criança e ao adolescente o direito de serem protegidos de qualquer tratamento “desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”. Ao admitir que a formação de um núcleo familiar possa mitigar a violência originária, a decisão não apenas fragiliza a proteção legal, mas contribui para a normalização institucional da violação.


Além de constituir afronta direta aos direitos da criança e do adolescente, o caso expressa mais uma face da violência de gênero historicamente naturalizada. Meninas foram socializadas para o silêncio, para a submissão e para a aceitação de relações com homens mais velhos, frequentemente justificadas por discursos de cuidado, proteção ou responsabilidade afetiva. Situações como essa não são exceções isoladas: integram uma engrenagem social que sexualiza precocemente corpos femininos e legitima relações de poder sob a aparência de normalidade.


A decisão insere-se, portanto, em uma sociedade atravessada por uma cultura de dominação dos corpos de meninas e mulheres, dominação que se intensifica quando se trata de meninas pobres, negras e periféricas. Não se trata de um equívoco interpretativo pontual, mas da manifestação de um sistema que relativiza a violência quando esta se encaixa em padrões moralmente toleráveis ou socialmente aceitáveis.


É preciso afirmar com clareza: quando um caso como este é justificado, naturalizam-se crimes sexuais, emocionais e físicos contra meninas e mulheres. Quando a vulnerabilidade deixa de ser critério jurídico objetivo e passa a ser filtrada por juízos morais, abre-se um precedente perigoso em que direitos deixam de ser garantias e passam a ser negociáveis.


Resta-nos a pergunta incontornável: quem o Estado realmente protege? Em uma sociedade estruturada por desigualdades de classe, gênero e raça, os aparatos institucionais tendem, não raro, a preservar aquilo que perpetua a própria lógica de dominação. Não é a constituição familiar a qualquer custo que elimina a violência; ao contrário, quando o Judiciário flexibiliza a proteção de crianças e adolescentes, reafirma o descaso histórico com a dignidade infantojuvenil.


Enquanto a vida da classe trabalhadora, e de seus filhos e filhas, for tratada como valor relativo, continuaremos a conviver com um Estado que proclama proteção universal, mas opera segundo percursos históricos bem definidos, comprometidos com a manutenção de hierarquias sociais.


Com os pés fincados no presente, é preciso reafirmar: direitos não são concessões morais. Direitos são conquistas sociais, fruto de lutas históricas, que exigem posicionamento firme e defesa inegociável.


Referências

Estatuto da criança e do adolescente. – Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2017. 115 p.


Cybely Ribeiro – Pedagoga (UECE); Mestranda em Educação (UECE). 

Kelverton Rodrigues – Pedagogo (UFC); Mestrando em Educação (UECE).