segunda-feira, 11 de maio de 2026


 Relendo Karel Kosik


"O mundo da realidade é o mundo da realização da verdade, é o mundo em que a verdade não é dada e predestinada, não está pronta e acabada, impressa de forma imutável na consciência humana: é o mundo em que a verdade devem(...) a história humana pode ser o processo da verdade e a história da verdade". (KOSIK, Karel. Dialética do Concreto . Civilização Brasileira: Rio de Janeiro; São Paulo, 1976)


Um tal pensamento era incompatível com a versão  stalinista da dialética como um método de "descobrimento" de uma verdade estabelecida de uma vez por todas, a verdade da própria burocracia stalinista tcheca.


Após a invasão soviética em 1968, que encerrou a Primavera de Praga, Kosík foi expulso do Partido Comunista da Tchecoslováquia, perdeu sua posição na Universidade de Praga e foi silenciado, sendo considerado um "dissidente" interno, enquanto as ideias de autogestão, cara a uma versão anterior da burocracia iugoslava (Tito) passaram a ser vistas com suspeita pela liderança  tcheca deste período. Kosik apoiara o movimento de renovação encabeçado por Alexander Dubcek, ao lado de outro importante intelectual, Ivan Svitak.


A liberdade de pensamento exercida por Kosik, ele mesmo membro do Partido, discípulo de Lukács, insuspeito de trotskismo ou coisa que o valha,  era incompatível com a prostituição do marxismo operada pelo stalinismo.


Eudes Baima, professor da UECE