segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Banalização da violência e extrema-direita

setembro 23, 2019



Foto: REUTERS/Divulgação (Pilar Olivares)

Trabalhadores como alvo preferencial da barbárie capitalista

Mais uma tragédia. Dessa vez foi o assassinato da menina Ághata Vitória Sales Félix de oito anos de idade. A criança estava com a avó em uma Kombi de transporte alternativo de passageiros e foi alvejada pelas costas, no contexto de uma operação da Polícia Militar no Complexo do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro. Para ideólogos e simpatizantes da extrema-direita um simples custo ou efeito colateral do combate ao crime organizado”. Na verdade, uma violência de classe organizada contra trabalhadores, pobres, negros e jovens da periferia. 
Se olharmos mais de perto, é fácil perceber que não há helicópteros nem operações policiais nos condomínios ou bairros onde moram os “homens de bem” e suas famílias. Não há isso nos bairros ricos das grandes cidades brasileiras. O objeto de ataque são os bairros populares e seus setores mais frágeis, privados de políticas públicas de saúde, educação, saneamento e vitimados cotidianamente por relações sociais de misoginia, de racismo, de lgbtfobia e de segregação. 
Com o aprofundamento da crise política e social a tendência é que tragédias como essa sejam mais comuns. E a solução não virá de cima, do Estado ou dos diversos setores das classes dominantes em nosso país. 
No caso do Estado brasileiro, como todo Estadoele é de classe. Suas raízes estão fincadas em mais de trezentos anos de escravismo colonial e atualmente é a forma política do capitalismo periférico em crise. O poder exercido na família, na escola, nas empresas, nas prisões e noutras instituições está regulado por normas legais estabelecidas e fiscalizadas pelo aparelho de Estado. O núcleo essencial dessa estrutura é o aparato repressivo, cuja função primeva é a manutenção da ordem, a ordem capitalista. A simples ameaça de repressão ou a certeza de que ela virá diante de qualquer desafio à ordem dominante já é um poderoso fator de controle social. O Estado de classe proíbe, interdita, reprime e gera ideologias que o justificam. Embora não seja o único centro de poder ou de geração de ideologia, é o Estado que coloca e recoloca as relações de poder dentro da ordem capitalista, no Brasil e em outros países. 
Hoje, para a agravar mais esse perfil do Estado brasileiro, vive-se num regime político oriundo do golpe de Estado de 2016. A correlação de forças sociais e a relação entre instituições do próprio Estado de classe favorece um regime mais autoritário e repressivo. Para piorar, no governo federal e em vários estados da federação há governos de extrema-direita que acentuam a natureza repressiva do Estado e do regime político. Bolsonaro, na presidência, e Witzel, no governo do estado do Rio de Janeiro, não expressam apenas a necessidade de controle social para manter ordem de reprodução do capital. Eles representam uma ofensiva na retirada de direitos e numa maior exploração da força de trabalho. Daí sua truculência. O objetivo é aniquilar as próprias conquistas ddemocracia burguesa brasileira para destruir conquistas dos subalternos (sindicatos, legislação trabalhista, previdência pública, direito de greve). 
Os assassinatos da vereadora Marielle Francodo músico Evaldo Rosa, agora, de Ághata Vitória não são fatos ocasionais, representam algo mais profundo: uma guerra civil contra a maioria da população. O crescimento do número de feminicídios, de assassinatos de lideranças de movimentos sociais, de casos de intimidação e de violência por parte do aparelho estatal compõem a face da extrema-direita brasileira, nutrida pelo Estado e pelas correntes políticas tradicionais da burguesia. 
Só há uma forma, historicamente comprovada, de deter a barbárie que avança: a auto-organização e a atividade dos de baixo em defesa de seus interesses, de seus direitos e de suas conquistas. 
É preciso barrar a sangria dos filhos e filhas de nossa classe! 

Frederico Costa
Professor da UECE - Universidade Estadual do Ceará
Diretor do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Ceará – SINDUECE/ANDES-SN
Coordenador do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário-IMO

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Estado laico, práxis antirracista: porque devemos debater esses temas?

setembro 19, 2019


      Tive a oportunidade de estar em uma escola municipal de Fortaleza acompanhando uma sala de aula de 1° série do Ensino Fundamental cujo nome não revelarei por motivos éticos. Venho relatar esse fato porque ele é singular para entender os temas que dão título a esta crônica argumentativa. Já me deparei com algumas situações dentro de sala de aula e, por isso, sei o quanto ela é intensa e complicada. Mas, semana passada, enquanto os alunos estavam estudando Matemática, uma professora da própria escola entrou na sala para ensinar a Bíblia para as crianças. Pareceu-me que era uma atividade que essa professora realiza regularmente na escola em salas que não são as de sua regência.
      Quero conversar com você, leitor, sobre duas situações ocorridas nesse dia. Ela pregou na lousa um versículo da Bíblia e fez com que os alunos repetissem até decorá-lo. O atual desgoverno vive falando por aí que, nas escolas, acontece doutrinação por partes dos professores de esquerda. E a doutrinação religiosa pode? Então a escola pode ser sem partido, desde que seja com religião. A religião é de decisão pessoal e individual de cada pessoa. A própria legislação determina que seja facultativa e sendo vedada qualquer forma de proselitismo, ou seja, doutrinação religiosa (Art. 33, Lei nº 9394/96). A professora não deu opção aos alunos que não desejassem participar da aula nem apontou para a diversidade de credos. Fiquei pensando o quanto essa situação deve ser a realidade de muitas escolas. Isso não foi tudo.
      Satisfeita com a "decoreba" do versículo bíblico, a professora começou a ensinar as cores escuras e disse aos alunos e às alunas que as cores escuras não agradavam a Deus, pois eram as cores do pecado, diferentemente das cores claras que representam a paz, a alegria etc. Veja, a metade da sala era composta por alunos e alunas negras. Durante o tempo que estive lá, precisei trabalhar muito a dificuldade desses alunos em aceitar que o lápis “cor de pele”, na verdade, só representava uma cor e que não correspondia com a cor da pele da maioria deles. Foi um trabalho árduo proporcionar esse autoconhecimento para crianças de cinco e seis anos, mas houve avanços postos em xeque pela ação da professora.
      Para além da história, me pergunto aqui como nasce o racismo nos dias atuais? Melhor: como ainda hoje nascem pessoas racistas mesmo com tantos debates sobre raça que estamos travando? Naquele dia, comprovei um sentimento pessoal: as práticas desenvolvidas por pessoas cristãs favorecem a reprodução racista de uma sociedade que foi e continua sendo educada para reproduzir comportamentos opressores. Em uma conversa com um grande amigo sobre toda essa problemática, ele me lançou o seguinte questionamento: A mulher que se prestou ao papel de fazer isso na sala de aula era ciente do que estava fazendo, uma vez que o racismo estrutural é invisível aos olhos mais desatentos? Minha resposta é a seguinte: toda prática educativa, seja ela dentro ou fora de sala de aula, possui consequências sérias para a construção e o desenvolvimento do ser humano. Uma vez que você ensina que cores escuras são ruins e desagradam a um deus, o mínimo resultado que você obterá será a construção de futuros adultos com olhares racistas um para com o outro. Esse caso só comprova como o racismo está estruturalmente nas nossas relações; como a sociedade reproduz conceitos e comportamentos racistas sem perceber, causando um sério dano à sociedade.
      Para aprofundar o assunto, precisaríamos discutir formação e práxis docente, mas não é o caso deste texto. Quero dizer que o problema não é a religiosidade, mas impor uma religião às crianças de cinco e seis anos é um grande problema. Por isto formar o pensamento crítico é fundamental: para que as alunas e os alunos possam se defender e dizer não aos verdadeiros doutrinadores. O engraçado é, que diante de todas as problemáticas que temos que nos deparar nos ambientes educacionais, como falta de recursos para a própria manutenção da escola, falta de comida, falta de materiais didáticos etc., ainda temos que ouvir absurdos de que NÓS professores e futuros professores somos doutrinadores. Quem me dera ser, quem me dera! Eu me pergunto: a educação, o Estado, não é laico? Quem são os verdadeiros inimigos da educação? Talvez precisaria de outra crônica para debater isso. Até quando seremos obrigados a ouvir que nossas pequenas tentativas de práticas emancipatórias são doutrinações, enquanto a verdadeira doutrinação acontece debaixo dos nossos próprios olhos, ou melhor, nas nossas próprias salas de aula praticadas pelas mesmas pessoas que defendem uma educação sem partido e sem viés político ideológico! Eu pergunto: quem são os doutrinadores mesmo?

Cybely Ribeiro
Graduanda em Pedagogia - UECE.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Angela Davis: Uma autobiografia

agosto 22, 2019



Ainda temos algumas cataratas a tirar dos olhos

A metáfora que compõe o subtítulo deste artigo está na autobiografia de Angela Yvonne Davis, publicada este ano pela BoitempoAngela está falando sobre o momento em que descobriu que o racismo é uma estrutura que aumenta a produção de lucros a serem apropriados privadamente pela classe dominante, em que compreendeu os problemas do povo negro dentro do contexto do movimento da classe trabalhadora. É o momento em que Angela Davis, uma das mais importantes militantes do mundo, descobre o comunismo. 

A publicação original é de 1974 e teve como editora Toni Morrison, a primeira negra a ganhar um prêmio Nobel de literatura. Morrison escrevia histórias sobre mulheres negras nos Estados Unidos e percebeu a natureza única da história de Davis que se sentia muito jovem para escrever uma autobiografia que poderia ser tomada como pretenciosa. A relutância da autora, segundo ela mesma, tinha a ver também com o fato de não quer querer personificar a luta de seu povo em sua figura mais do que já tinha ocorrido graças a sua prisão e a campanha por sua liberdade que se espalhou pelo mundo.

O desconforto de Davis foi vencido justamente pelo aspecto mais relevante de sua autobiografia, o método de contar sua história: Angela Davis apresenta sua história de maneira inseparável da totalidade social. Além de apresentar uma escrita fluida (e aqui não se pode esquecer o crédito de Heci Candiani pela belíssima tradução), o texto desenvolve-se como um romance, a estrutura narrativa prende o leitor do começo ao fim, a forma de contar de Davis emociona e revolta. O leitor é transportado não só para os momentos passados, mas, a ele, é dada a oportunidade de estar na pele de Angela, ainda mais, de olhar o mundo através de seus olhos e, ao fazê-lo, o leitor sente o que ela sentiu, sente, inclusive, a emoção do momento da escrita.

Não descarto a possibilidade de estar cometendo um exagero apaixonado por Angela, se o tiver, perdoem-me, mas não deixem de fazer este favor a si mesmas(os): leiam a autobiografia de Angela Davis.

Karla Raphaella Costa Pereira
Doutoranda em Educação no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará - UECE.

sábado, 17 de agosto de 2019

Prosa do pôr do sol

agosto 17, 2019



Pôr do sol em Fortaleza


Fim de tarde cheio de saudade na Beira Mar. E o pôr do sol em Fortaleza reluz intensamente nas águas de infinito azul. Sempre admirei o esplendor deste fenômeno da natureza como uma sensação que não se esgota em si mesma, mas, que se amplia na medida em que não estabeleço limites para senti-lo. Tenho insistido nisso tão-somente porque não suporto que me digam como devo sentir as coisas do mundo. O meu egoísmo é assim, uma simbiose de exaltação e aridez.

A única razão pela qual nunca deixo de ver o pôr do sol é quando, invariavelmente, sempre estou desgastado de mim mesmo e não suporto compreender-me. E feito um torvelinho de cansaço e desgosto, só encontro motivos para destroçar este meu egoísmo insípido. Certamente, aquela saudade não é em vão. Pois, sinto a partir de minhas lembranças, a vida como se fosse a última. E esse repertório de vivências dissipadas é um verdadeiro oceano de renúncias e desilusões.

Meu coração é apenas um órgão que faz valvular o sangue no meu corpo. Eu sinto mesmo profundamente tudo é pelo dispositivo do devaneio sensitivo e insano.

Todavia, ao caminhar pelas límpidas areias da praia de Iracema, começo a entender que esse cotidiano de simulacros e encenações de orgulho estúpido (afetuosidades desnecessárias) não passa de beleza mórbida e torpeza fria. Só o pôr do sol aqui para dilacerar minha angústia de existir!.. e tudo é assim, feito brisa leve na contradição de viver. E o meu destino não se encerra em nenhum objetivo pleno, mas em plena tarde, encontro o sentido da vida: não se perguntar o porquê de estarmos aqui.


Madrugada e vento frio

A noite transcorria serena. E um leve sono repentino provocava em mim uma sensação de melancolia confortável. Lá fora um abismo de silêncio. Mas no interior do meu quarto semicerrado ressoava um estampido de saudades mortas. Algo assim não surpreendente pois o que me deixa mesmo extasiado é o vento frio das madrugadas intransponíveis. Porque é nessas horas que eu sinto rebentar um furor inesgotável. E nesta mesquinha cidade de concreto pálido componho minha cantilena absolutamente confessional.

Embora submetido aos meus próprios deslizes, ainda procuro uma razão de ser. Mesmo assim, inquieto, irascível e tolo.


Antonio Marcondes dos Santos Pereira
Doutor em Educação (UFC)
Membro do GEM/UFC

sábado, 27 de julho de 2019

40 anos da revolução nicaraguense: O que ela nos diz?

julho 27, 2019



As lições de uma luta revolucionária

Em 19 de julho de 1979, triunfava a Revolução Nicaraguense. As ruas de Manágua, apesar das ruínas, dos mortos e da fumaça, foram invadidas por uma grande multidão repleta de bandeiras rubro-negras da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) que dançava e comemorava em meio a risos, choros e abraços. Vitória das massas populares sobre um dos mais sanguinários regimes apoiados pelo imperialismo estadunidense: a ditadura de Anastasio Somoza, membro de uma dinastia que controlava o país desde 1936.

A queda de Anastasio Somoza foi resultado de uma poderosa insurreição popular cujo desenvolvimento levou vários meses. O salto de qualidade para esse processo foi o assassinato de Pedro Chamorro, dirigente do Partido Conservador, diretor do jornal La Prensa e líder oposicionista UDEL da (Unión Democrática de Liberación), em 10 de janeiro de 1978, a mando de Somoza. A greve geral contra tal ato durou vários dias, com manifestações de milhares de pessoas em Manágua e Matagalpa. Em  fevereiro, rebelou-se a comunidade indígena de Monimbó, em Masaya a 32 Km da capital. Em abril, uma greve de estudantes fechou tanto as universidades como quase todas as escolas públicas e privadas. Em agosto, desencadeou-se outra insurreição espontânea em Matagalpa. Em setembro, a FSLN lançou uma ofensiva coordenada sobre as guarnições das principais cidades, à qual somaram-se numerosos populares, fracassando em seu intento de provocar a partida do ditador. Logo depois, a Guarda Nacional respondeu lançando uma criminosa repressão.

A burguesia antissomozista também se mobilizou. No início de 1978, incentivou a Greve Geral de janeiro-fevereiro exigindo a renúncia de Somoza. Em maio, formou-se a FAO (Frente Ampla Opositora), formada por diversos setores da burguesia nicaraguense, que procuravam retirar Somoza para salvar o sistema. Ainda em setembro do mesmo ano, o imperialismo estadunidense buscou uma mediação entre a FAO e Somoza via a Organização dos Estados Americanos (OEA), mas a intransigência do ditador e a desintegração da FAO impediram o acordo. A marcha dos acontecimentos já conduzia à única solução: a insurreição geral.

No período da Páscoa de 1979, colunas da FSLN ocuparam a cidade de Esteli com apoio massivo da população. Em maio, começou o levante geral em todo o país. Em 3 de maio, a cidade de Leon ao Norte de Manágua, a segunda do país, se rebelou. No dia 4 de junho, os sandinistas convocaram a Greve Geral Revolucionária. No dia 5, levantou-se Matagalpa em uma heroica luta de rua por rua, casa por casa, que durou um mês. Os subúrbios mais pobres de Manágua começaram a se organizar para o levante. Desde meados de junho, povoados pequenos e médios caíram sob a direção da FSLN enquanto as tropas somozistas refugiaram-se em quarteis.  No final de junho, Masaya é libertada e, no dia 9 de julho, Leon é totalmente liberada tornando-se capital provisória, onde instalou-se a Junta de Gobierno de Reconstruccción Nacional (JGRN). Em 17 de julho, o ditador Somoza fugiu para Miami e deixou em seu lugar o tenente Urcuyo. A Guarda Nacional desintegrou-se em 19 de julho, Urcuyo renunciou, as tropas sandinistas entraram em Manágua onde se instalou, no dia seguinte, a Direção Nacional da FSLN e o novo governo revolucionário. Os 17 meses de rebelião popular e repressão custou aproximadamente a vida de 50 mil pessoas, milhares de órfãos e sem-teto devido aos bombardeios da Guarda Nacional.

O ascenso revolucionário das massas nicaraguense não evoluiu para uma saída socialista, como em Cuba. A revolução democrática e anti-imperialista não transbordou para a expropriação da burguesia e o estabelecimento de um regime de transição, sob hegemonia das massas assalariadas. Num país devastado pela ditadura e sua sangrenta guerra contra as massas, a direção da FSLN optou por uma estratégia de derrotas: a aliança com a burguesia nicaraguense, estruturalmente vinculada ao imperialismo e ao latifúndio.

 Já no período de mobilização revolucionária contra o regime ditatorial, quando a FSLN conquistou a direção política das massas, sua orientação foi a de frente popular, subordinando os interesses da população em luta aos propósitos da burguesia. Com a vitória, em nome da “reconstrução nacional”, da “democracia pluralista” e da “unidade nacional”, a colaboração com a burguesia interna significou barrar a execução de medidas democráticas e nacionais, impedindo a auto-organização do proletariado e da maioria da população em novas estruturas de poder. Isso para garantir a colaboração da burguesia.

Resultado: depois de 10 anos da vitória da Revolução Sandinista, o sandinismo foi derrotado eleitoralmente por uma representante conservadora da burguesia. Hoje, a Nicarágua é uma sombra do que foi no período em que as massas construíam o futuro contra o imperialismo, a burguesia interna e o latifúndio.

A revolução nicaraguense nos trouxe duas grandes lições. Primeira, a evidência de que as massas organizadas podem vencer, em unidade na diversidade com operários, camponeses, marxistas, cristãos, jovens, mulheres, indígenas. Segunda, a colaboração com os inimigos da revolução por meio de gigantescas concessões políticas e econômicas à burguesia interna, de garantias democráticas aos agressores contrarrevolucionários do país financiados do estrangeiro e de aplicação de planos do FMI, levaram à derrota um importante processo de emancipação social na América Central.

Então, o que nos diz a Revolução Nicaraguense? Devemos confiar na mobilização e protagonismo das massas assalariadas e populares. Para os companheiros de luta do PT, PC do B, PSOL e PCB, um alerta: a colaboração com a burguesia e suas representações políticas não soma, porque os interesses das massas trabalhadoras e da burguesia, nas questões fundamentais (previdência pública, política econômica, educação, reforma agrária, soberania nacional, desigualdades regionais, democratização das esferas de poder, combate às opressões, governo Bolsonaro, por exemplo), são antagônicos.

Frederico Costa
Professor da UECE - Universidade Estadual do Ceará
Diretor do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Ceará – SINDUECE/ANDES-SN
Coordenador do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário-IMO